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A importânica da Psicologia Equina no treinamento e apresentação em exposições.

Adestramento profissional - Base para uma marcha de qualidade





O adestramento, também chamado comumente de doma ou amansação, é a base para a formação de exímios marchadores. Mas para que o adestramento gere resultados positivos, é necessário que o animal seja possuidor de genes desejáveis para o bom desempenho da marcha, em termos do diagrama (boa definição dos momentos de tríplice apoios), comodidade, estilo, desenvolvimento, regularidade. Raramente, um animal que aprende a marchar será um bom marchador.

O adestramento é dividido nas fases de doma de cabresto, doma de baixo, doma de sela e adestramento avançado. A doma de cabresto tem início por volta dos 5 meses de idade, entre 15 a 30 dias antes da apartação. A idéia é ensinar o cabresteamento com um mínimo de estresse mental possível. Partindo deste princípio, o método consiste em conduzir o potrinho (a) ao lado de sua mãe. A partir da segunda semana em diante, o animal poderá ser puxado sozinho, em andamentos de velocidade lenta - passo e marcha lenta. Nesta primeira fase as lições visam somente ensinar o potrinho (a) a caminhar respondendo ao comando de puxar o cabo de cabresto. Após a apartação, a doma de cabresto continua no redondel, ensinando-se o animal a virar à direita e à esquerda ao passo e marchando. Finalizada esta fase inicial da doma, os animais serão introduzidos no programa de condicionamento físico.

Diversos sinais emitidos pelo cavalo podem auxiliar a condução do treinamento no haras e a apresentação em julgamento:
- Orelhas voltadas para trás: é o sinal mais evidente de raiva, intenção de morder ou de escoicear;
- Orelhas permanentemente móveis: indicativo de cavalos muito ativos ou de temperamento nervoso;
- Orelhas caídas: cansaço, sonolência, doença;
- Olhar sem brilho: fadiga, doença;
- Olhar fixo, com orelhas armadas: algo desperta a atenção, podendo gerar curiosidade ou medo;
- Cauda erguida: sinal de excitação, reserva acumulada de energia;
- Cauda agitando: sinal de inquietação, temperamento nervoso, dor;
- Movimentos elevados dos membros: sinal de excitação;
- Abrir e fechar a boca e/ou bater lábios: vício ou sinal de rejeição à < embocadura;
- Oscilação da cabeça: rejeição à embocadura, temperamento nervoso;
- Passo retraído: pode ser indicativo de desequilíbrio dinâmico (desvio grave de aprumos) ou de inquietação, excitação;
- Sudorese excessiva: fadiga, condicionamento físico inadequado;
- Suor de coloração branca leitosa: pode indicar condicionamento inadequado;
- Baixar cabeça: fadiga;
- Pendular cabeça: inquietação, temperamento indócio


Treinamento da marcha em animais jovens

O julgamento da marcha de animais apresentados ao cabresto baseia-se nos mesmos parâmetros avaliados nos animais montados, ou seja, a comodidade, que tem peso de 40%, o estilo, regularidade e desenvolvimento, com peso de 20% cada quesito. A diferença é que ao cabresto o animal tende a apresentar uma menor dissociação nos deslocamentos, pois não ocorrem os efeitos dos comandos principais e auxiliares da equitação: rédeas, assento, pernas, tala (ou rebenque), esporas. Os animais não são reunidos, marcham mais soltos. A tendência é que apresentem a modalidade de marcha batida. Ressalte-se que o regulamento exige a apresentação obedecendo uma nítida folga no cabo do cabresto, valorizando-se a naturalidade da marcha.A principal preocupação do árbitro será em relação aos andamentos excessivamente diagonalizados, com pouca definição dos tríplice apoios. Caso a elevação seja excessiva, o animal será severamente penalizado, até mesmo com a desclassificação, quando for caracterizada a perda de contato com o solo, o que insere o animal no andamento trotado. Outros problemas comuns são o desequilíbrio dinâmico, provocado pela deficiência de impulsão e as irregularidades da marcha.

A suavidade dos apoios é apenas uma referência de uma boa comodidade futura quando o animal for montado, mas não é garantia definitiva. Quanto mais dissociados forem os deslocamentos, mais natural será a marcha, melhor definidos serão os apoios tripedais e, consequentemente, a suavidade dos apoios. Quando o andamento é muito lateralizado, haverá uma perda de regularidade e desequilíbrio do eixo corpóreo. Ao contrário, quando o andamento é muito diagonalizado, haverá perda na suavidade dos apoios, ocorrendo abalos verticais sobre o eixo corpóreo.

O treinamento de animais jovens deve ser conduzido em uma rotina diária, envolvendo trabalho inicial de guia no redondel, visando um melhor flexionamento, elasticidade dos deslocamentos, impulsão mais vigorosa, e uma melhor cadência nas diferentes velocidades da marcha. Em seguida, no plano, na estrada ou pista de treinamento, os animais devem ser puxados em linha reta e na figura de um triângulo, como é exigido nas exposições. Se o deslocamento estiver excessivamente diagonalizado, o treinador deve segurar o cabo curto, pressionando os três pontos de controle - queixo, chanfro (ação da focinheira) e nuca (ação da parte superior da cabeçada). Com a outra mão comandar com o chicote visando um aumento de velocidade da marcha, e reunir o animal com a mão que segura o cabresto. Esta ação integrada exerce o efeito de provocar o atraso no deslocamento de um membro anterior em relação ao deslocamento do membro posterior diagonal. Em casos extremos, animais muito ásperos devem ser ferrados dos posteriores, ou trabalhados com pulseiras fixas nas quartelas, com proteção de couro, para se evitar ferimentos. Ao contrário, animais de andadura devem ser ferrados dos anteriores. Em ambos os casos, a finalidade será provocar mais rapidamente a dissociação entre os apoios diagonais (caso do trote, ou marcha batida muito áspera) ou laterais (caso da andadura). Em outras situações, o deslocamento de membros anteriores é muito rasteiro. Será necessário trabalhar com peso extra nos cascos anteriores, para forçar a elevação dos deslocamentos, ou tentar a correção através de exercícios de salto e seções de galope reunido.

Um cuidado especial no treinamento de animais jovens é o de buscar um posicionamento correto da cabeça, em termos de direção retilínea, alinhada com o pescoço, altura, flexionamento e estabilidade. Um mal posicionamento da cabeça afeta negativamente a qualidade de movimentacão dos membros anteriores e, consequentemente, o equilíbrio, harmonia e coordenação dos deslocamentos. Para uma boa apresentação na pista, é preciso que haja uma perfeita integração do animal com seu treinador/apresentador, com base na obediência e confiança.


Treinamento da marcha em animais adultos


Tradicionalmente, cavalos Campolinas destinados aos Concursos de Marcha vêm sendo treinados somente na marcha, durante períodos em torno de uma hora por dia ou em dias alternados, em estradas ou pistas de treinamento, objetivando preparar os animais para suportar uma competição de 40 minutos ininterruptos de marcha em velocidade média de 12 km/h. Entretanto, este treinamento baseado somente na marcha não é mais suficiente. Ë necessário variar exercícios, visando um melhor condicionamento e qualidade no desempenho da marcha.

O melhor método é o treinamento intervalado, que combina períodos de exercícios de alta intensidade com períodos de exercícios de baixa intensidade, sempre realizando o aquecimento e o desaquecimento ao final do treinamento. Para o aquecimento, os andamentos indicados são o passo médio e a marcha curta. Em seguida, encartar o animal na marcha de velocidade de Concurso. Após 10 minutos, alongar a marcha, mais 5 minutos, retomar o passo, iniciar uma seção de galope lento. Em seguida, passo livre, para relaxar o animal e recuperar as taxas respiratórias e cardíacas normais. Reiniciar a marcha de competição, mais 10 minutos, passo, outra seção de galope lento, passo livre e, ao final do treinamento, executar em marcha figuras circulares, de serpentina e de oito, com a finalidade de aprimorar o equilíbrio dinâmico - harmonia, coordenação, impulsão.Os parâmetros a serem aprimorados no dia-a-dia de treinamento são a comodidade, o estilo, o desenvolvimento e a regularidade. Destes, o mais complexo é o estilo, pois envolve vários aspectos dinâmicos e de posicionamento da cabeça, boca, pescoço e cauda. A movimentação precisa ser harmoniosa, equilibrada, coordenada no trabalho do conjunto de membros anteriores, conjunto de membros posteriores e o conjunto dos quatro membros. Outra exigência é o bom flexionamento e soltura de movimentos das articulações de joelhos, boletos e jarretes. Já a impulsão, refere-se à energia do deslocamento de membros posteriores, com um bom engajamento (avanço dos cascos posteriores sob a massa corpórea). O desenvolvimento da marcha não é a velocidade, mas sim a amplitude das passadas. A regularidade é avaliada tanto em termos da manutenção de uma velocidade constante e de uma mesmo diagrama de marcha. Já a comodidade, refere-se à ausência de abalos, ou atritos, fortes seja no sentido vertical, lateral ou longitudinal. Ao longo do processo do treinamento da marcha, o aprimoramento da comodidade é o aspecto de resposta mais lenta.

A intensidade de trabalho deve ser em torno de uma hora, em frequência diária, com um dia de descanso na semana. O ideal é que o treinador também seja o apresentador no Concurso de Marcha. Outras dicas para um bom preparo para competir são relacionadas em seguida:
- Manutenção de uma angulação correta dos cascos;
- Quando necessário, ferrageamento adequado;
- Acesso a uma dieta para alta performance;
- Aplicação de duchas frias após o trabalho;
- Utilização de ligas de descanso à noite;
- Utilização de ligas de trabalho;
- Exercícios moderados na ultima semana que antecede a exposição;
- Trabalhar animais em grupos, simulando condição de competição;
- Trabalhar em terreno similar ao que será encontrado na competição;
- Viagem segura;
- Controle emocional do animal durante a estadia no parque de
exposições.



Treinamento, a escolha correta da embocadura



Lúcio Sérgio de Andrade | Zootecnista - CRMV 11-136/Z

Logo após a doma de sela tem inicio o treinamento específico para competições. Durante o processo da doma o animal aprende a responder corretamente aos comandos básicos da equitação: rédeas, pernas e assento. Deve virar prontamente à direita, à esquerda, esbarrar e recua; deve responder prontamente à pressão de pernas e eventuais toques de calcanhar; e deve responder aos deslocamentos de peso do cavaleiro, seja para os lados, para a frente ou para trás. Contudo, estas respostas somente acontecerão com precisão após um período de trabalho paralelo visando desenvolver o flexionamento da nuca, do pescoço e da musculatura do tronco.

A embocadura inicial utilizada na doma de sela é o bridão, de ação branda. Para o treinamento específico de competições, pode ser efetuada a transição para um bridão de ação moderada, caso seja necessário. A transição mais delicada é para o freio convencional, sendo recomendado o de ação leve para, em seguida, o de ação moderada. Os freios severos raramente são necessários para cavalos de marcha. Para uma transição mais amena pode ser utilizado o freio - bridão, que tem o bocal "partido" de um bridão, as hastes de um freio e também a barbela, que pressiona no queixo e produz uma pressão extra nesta região sensível, à exemplo do que ocorre com o uso do freio convencional.


Bridão D'agulha (com hastes), ideal para cavalos de marcha, sendo o primeiro, de baixo para cima um tipo freio-bridão, com argola para barbela e rédea dupla

Modo de ação - Basicamente, o modo de ação do bridão difere daquele do freio convencional, porque não há o efeito alavanca. A pressão principal é a do bocal sobre as barras, comissuras labiais e língua. Como o bocal é articulado, a ação torna-se mais branda, daí ser uma embocadura indicada para o Home da doma de sela. Quando as rédeas são acionadas, as argolas (ou olhais, dependendo do modelo) deslocam-se no sentido do movimento da montaria (esquerda, direita ou par trás), pressionando o bocado nos pontos de controle. A língua sofrerá uma pressão considerável se os olhais da articulação central do bocal forem grandes, duplos, ou se o próprio bocal é fino.

A ação do bridão é mais no sentido de forçar o cavalo a manter sua cabeça em uma posição mais alta, ao contrário da ação do freio convencional, que força um posicionamento mais baixo da cabeça, transferindo pressão sobre a nuca. Em um bridão de modelo básico não se usa barbela, pois esse efeito afeta a ação lateral articulada do bridão sobre as barras e comissuras labiais. O peso do bridão também tem relação com seu modo de ação. Nos modelos de bocal oco, o peso é menor, em torno de 300 gramas, porém é um bridão de pouca durabilidade, como já foi dito. Já o ferro maciço aumenta o peso para mais de 400 gramas, enquanto os de aço inoxidável têm peso em torno de 350 gramas.

Grau de severidade - Quanto mais grosso o bocal, mais branda será a ação, e vice-versa. Como medidas de referência, bocais de espessura superior a 1,5 cm exercem uma ação mais branda; entre 1,0 e 1,5 cm, uma ação moderadamente severa e abaixo de 1,0, uma ação severa. Para cavalos de marcha não são recomendados de ação severa, sendo que o modelo ideal de bridão é aquele de olhais em forma de D, com hastes, chamado de bridão "D agulha". Nesse modelo, o olhal não entra na boca, principalmente durante a fase inicial da doma de sela, além das hastes servirem de apoio nas laterais do chanfro e do mento, aumentando a pressão sobre os pontos de controle do bridão - barras, comissuras labiais e língua. Uma outra vantagem desse tipo de bridão é que dispensa o uso de borrachas protetoras.

Mesmo com essa recomendação do tipo ideal de bridão para uso em cavalos de marcha, lembre-se que existem variações de sensibilidade entre indivíduos, além das diferentes atividades eqüestres. Assim, um bridão mais severo é indicado para atividades que forçam movimentos mais reunidos e para cavalos de boca menos sensível. São freqüentes os casos de cavalos que adquirem calosidades nos pontos de controle da embocadura, devido ao uso da violência, ou mesmo de uma embocadura incorreta. Já um bridão mais brando, é recomendado para cavalos de boca sensível.

O freio convencional é constituído por duas hastes (ou pernas) laterais, o bocal inteiriço, geralmente em curva e a barbela (corrente), que se prende às duas hastes. A curvatura é denominada de lingueta ou passador de língua, variando de altura e na forma, que pode ser: em meia - lua invertida, V ou U, também invertido. O posicionamento correto do bocal na boca é sempre sobre a língua, caso contrário provocará incômodo persistente e ferimentos. Cada uma das hastes liga-se às faceiras da cabeçada, através de uma argola fixa em sua parte superior, denominada de olhal, onde também se prende a barbela, através de um pequeno gancho. E na parte inferior, cada uma das hastes tem uma argola móvel, por onde se ligam as rédeas.

O modo de ação do freio convencional é de fácil compreensão. As hastes funcionam como duas alavancas, cujos pontos de apoio são as suas junções com o bocal. As hastes são acionadas pelas rédeas, que forçam o bocal sobre o palato (céu da boca). Simultaneamente, a barbela pressiona o mento, travando o bocal no palato. O cavalo também sente o contato das laterais do bocal nas comissuras labiais e sobre as barras em ambos os lados da boca. As barras são áreas ausentes de dentes, revestidas apenas de mucosa, situando-se entre os dentes molares e os dentes incisivos. A rigidez das barras varia entre raças e indivíduos.

Em sínteses, o freio convencional atua direta ou indiretamente sobre 6 (seis) pontos de controle da locomoção do eqüino. Diretamente, como foi abordado, atua sobre os lábios, as barras, o palato e o mento. Indiretamente, atua sobre a nuca (com o auxilio da cabeçada) e sobre o chanfro (com o auxílio da focinheira).

De acordo com o seu modo de ação, um freio convencional pode ser classificado de:

1 - brando
2 - Moderadamente severo
3 - Severo

No primeiro caso, quando o bocado tem espessura acima de 1,5 cm, sendo o bocal baixo (máximo de 2 cm de altura) e em forma de meia-lua invertida ou, no máximo, da letra U invertida. As hastes devem ser curtas e inclinadas, devendo ser articuladas, de comprimentos semelhantes entre as suas partes superior e inferior. Via de regra, quanto mais grosso for o bocado, mas branda será a ação da embocadura e vice-versa. Como o freio exerce o efeito alavanca através de suas hastes, se estas forem fixas no bocado, sem articulação, a ação será mais severa, em relação a um freio de hastes articuladas. O efeito alavanca passa a existir quando as rédeas são presas em um ponto abaixo do bocal. Quanto mais longas e verticais forem as hastes, mais forte será o efeito alavanca. Mas sem a barbela, nenhum freio funciona. A barbela deve ser ajustada de modo a permitir a passagem de pelo menos um dedo entre a corrente e o mento. Com esta folga, quando as rédeas são acionadas, o bocal apoia-se no palato e, simultaneamente, a barbela pressiona o mento, servindo como ponto de apoio para o efeito alavanca das hastes. Quando a barbela é muito apertada, o bocal não será bem travado no palato e o mento sofrerá excesso de pressão, com possibilidade de ferimentos, sendo uma situação de grande desconforto para o cavalo.

No segundo caso, do freio de ação moderadamente severa, o bocado tem espessura variável entre 1,0 e 1,5 cm, com bocal de altura mediana (acima de 2 cm e abaixo de 3,5 cm) e em forma de U invertido, preferencialmente com sua parte mais alta achatada, a fim de suavizar o contato com o palato. As hastes são articuladas, sendo a inferior de comprimento equivalente a uma vez e meia a duas vezes o comprimento da haste superior, com uma inclinação em torno dos 45 graus

No terceiro caso, do freio de ação severa, o bocado é fino, de espessura inferior a 1,0 cm, com bocal alto (acima de 3,5 cm) e as hastes longas e verticais, articuladas ou fixas. Sendo as hastes fixas, as rédeas forçam um deslocamento mais brusco e violento da cabeça.



Freio de ação severa moderada. O bocal é alto, porém as hastes são curtas e bem inclinadas, reduzindo a força do efeito alavanca. Indicado para animais de ambas as categorias, SL e SE

Freio de ação severa, pois o bocal é alto e as hastes são mais longas e retas. Indicado para animais da categoria SE


Freio de ação severa, pois o bocal é alto e as hastes são ainda mais longas e retas. Indicado para animais da categoria SE ou para muares



Freio de ação severa moderada pois as hastes são longas e retas, mas o bocal é relativamente baixo e de curvatura suave. Indicado para animais de ambas as categorias, SL e SE




O fascínio da pelagem pampa




Lúcio Sérgio de Andrade | Zootecnista - CRMV 11-136/Z

Dentre as pelagens dos equinos, talvez a pampa seja a mais atrativa, devido á beleza de suas variedades de combinações coloridas. Tecnicamente, é uma pelagem que se insere no grupo das Conjugadas. A conjugação pode ser bicolor ou tricolor, com base na intercalação da cor branca com outras pelagens básicas (castanha, preta e alazã). Mas também pode ocorrer a conjugação da cor branca com as pelagens diluídas (baias) ou com as pelagens Compostas (tordlha, rosilha e lobuna). A diferença em relação à uma pelagem Composta é que essa tem duas cores em um mesmo pêlo.

Na pelagem Pampa as malhas brancas geralmente encontram-se distribuídas de forma variada, mas com tendência às formas circular e ovalada, sendo mais comum envolver ambos os lados da garupa, dorso-lombo e/ou pescoço. Frequentemente, os animais de pelagem Pampa são quatralvos (os quatro membros calçados de branco) e a cabeça é de cor sólida, podendo ocorrer algum tipo de sinal branco (estrela, luzeiro, filete, cordão, frente aberta, beta ou bebe em branco).

Torna-se oportuno ressaltar que os sinais brancos localizados apenas na cabeça e/ou nos membros são tecnicamente considerados como particularidades possíveis de ocorrer em quaisquer pelagens e, portanto, não caracterizam necessariamente um indivíduo como sendo portador da pelagem Pampa. Já na pelagem Appaloosa, que também é Conjugada, as manchas são de cor escura, pequenas e arredondadas, distribuídas sobre a cor branca.

Na literatura internacional, os cavalos de pelagem Pampa são denominados de Tobianos, existindo ainda outros dois tipos: Overo e Tovero. No primeiro caso, as manchas brancas são quase sempre irregulares, mais dispersas em tamanhos e formas variadas, com tendência a partir do ventre e raramente cruzando de um lado a outro entre o pescoço e a cauda. A cabeça pode ser totalmente branca, com manchas de cor sólida envolvendo os olhos, orelhas e nuca. Olhos azuis são muito comuns nos "Overos. Já no segundo caso, do "Tovero", ocorre uma combinação entre as estampas de ambos, o "Tobiano" e o "Overo

No Brasil, a ABC PAMPA - Associação Brasileira do Cavalo Pampa, executa o Serviço de Registro Genealógico da raça com base em quatro grupos de pelagem Pampa:

1 - Pampa de preta (ou outra pelagem) - Quando as manchas brancas predominam, cobrindo área superior a 50%.

2 - Castanha Pampa (ou outra pelagem) - Quando a cor sólida domina, com as manchas brancas perfazendo até 50% da superfície do pescoço e/ou tronco.




3 - Alazã rosada pampa (ou outra pelagem sólida) - Quando a área branca ocorre na forma de pintas pequenas, bem distribuídas por todo o corpo, perfazendo menos de 50% da área total. Se área de pintas for maior, a denominação será Pampa alazã rosada.




4 - Castanha Chita Pampa (ou outra pelagem sólida) - Quando as manchas brancas são de formato irregular, não ultrapassando de um lado a outro entre pescoço e cauda, atingindo até 50% da superfície. No caso das manchas brancas ocuparem mais de 50% da área total, a pelagem será denominada de Pampa Alazã Chita (ou outra pelagem sólida, se for o caso).




Observar a égua à frente, à direita, suas manchas brancas são de formato irregular, não ultrapassam de um lado a outro, e ocupam menos de 50% de área em relação à área ocupada pela pelagem castanha.



Conheça melhor a génetica da pelagem



Lúcio Sérgio de Andrade | Zootecnista - CRMV 11-136/Z

A pelagem Pampa tradicional, mundialmente conhecida como "Tobiana", possui um mecanismo genético dominante, podendo se manifestar de forma homozigota (tem os alelos TT) ou de forma heterozigota (tem os alelos Tt). Dessa forma, um garanhão homozigoto produzirá somente filhos (as) Pampas, sendo um animal de muito valor no mercado, a tal ponto que nos Estados Unidos são feitos exames para comprovar esta característica e os atestados são amplamente divulgados nas propagandas. Já um garanhão heterozigoto, teoricamente, transmitirá a pelagem Pampa 50 a 75% de sua prole.

No caso da variedade Pampa conhecida como "Overo", representado no Brasil pelo Chita e o Rosado, que foram denominações criadas pela Associação Brasileira do Cavalo Pampa, o mecanismo genético é do tipo recessivo ( representado pelos alelos oo). Já a letra maiúscula O é utilizada para representar o animal de pelagem sólida. É possível que dois pais de pelagem sólida gerem produtos Chita ou Rosado, desde que sejam portadores do alelo para essas pelagens. Mas no caso do "Tobiano", o nosso Pampa tradicional, para um produto nascer com essa pelagem, é necessário que pelo menos um dos pais seja Pampa.

O número e o tamanho das manchas brancas são afetados pela ação de genes modificadores. Quanto maior o número de genes modificadores, maior será o número e a extensão das manchas brancas. Esse fenômeno caracteriza uma ação gênica aditiva.

É possível que um cavalo seja portador dos alelos determinantes da pelagem Pampa, mas seja de pelagem sólida, devido à ausência de genes modificadores. Também é possível que um cavalo seja portador de genes modificadores, mas não tenha os alelos determinantes da pelagem Pampa e, portanto, sua pelagem será sólida.

O mecanismo genético das particularidades de pelagens, que são os sinais brancos -estrelas, luzeiros, filetes, cordões, betas, calçamentos, dentre outros - que ocorrem com frequência em áreas da cabeça e membros, é bastante similar ao anteriormente descrito para a pelagem Pampa. Ao contrario do que muitos criadores e técnicos imaginam, muitos sinais de pelagem são de herança dominante. Mas esse será tema de uma próxima matéria. Vale sempre lembrar que as particularidades de pelagem, aqueles sinais brancos que ocorrem na maioria das pelagens, não definem o animal como sendo Pampa

O fascínio que os cavalos Pampas despertam decorre exatamente das múltiplas possibilidades de combinações genéticas, aliado às variedades de belezas das estampas, que fazem da pelagem Pampa um diferencial no mercado equestre brasileiro, trazendo agradáveis expectativas para os proprietários de uma égua Pampa prenhe.

O Registro Genealógico do cavalo Pampa nacional funciona desde o ano de 1993, incluindo dois padrões raciais, denominados pelas siglas SE - Serviço e Esporte e SL - Serviço e Lazer. Tanto a morfologia quanto o andamento do cavalo Pampa nacional diferem bastante do Pampa americano, representados pelas raças "Paint" e "Pinto". Entretanto, uma nova entidade foi criada recentemente nos Estados Unidos, a "Spotted Saddle Horse Association" - Associação do Cavalo Pampa de Sela, com algumas diretrizes de seleção similares às da ABC PAMPA - Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Pampa. Foi aberto o caminho para o Home de um frutífero intercâmbio internacional.


A forma e distribuição das malhas brancas é determinada por uma ação gênica multipla.





A pelagem pampa padrão é conhecida na literatura internacional pela denominação de tobiana, sendo de mecanismo genético dominante.





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